Crianças não querem ser entretidas o tempo todo. Elas querem se sentir incluídas.
- Beatriz Samaia
- há 8 horas
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Recentemente ouvi uma frase que tem muito a ver com tudo que acredito e tento trazer para a minha casa. Quanto mais eu pensava nela, mais ela parecia explicar algo muito profundo sobre a infância e sobre a forma como muitas vezes nós, adultos, organizamos a vida das crianças hoje. A frase dizia o seguinte: crianças não querem ser entretidas o tempo todo, elas querem ser incluídas.
Vivemos em uma época em que existe uma pressão para oferecer experiências cada vez mais interessantes para os filhos. Programas diferentes, brinquedos educativos, atividades estimulantes, passeios especiais, cursos, viagens, conteúdos. Existe uma sensação de que estamos sempre tentando proporcionar algo maior, mais rico, mais memorável.
Mas quando observamos as crianças com calma, percebemos algo curioso. O que muitas vezes mais desperta o interesse delas não é o extraordinário. É o cotidiano.
A criança quer ajudar a mexer o bolo mesmo que derrame farinha pela cozinha inteira. Quer empurrar o carrinho no supermercado mesmo que demore mais. Quer apertar o botão da máquina de lavar como se fosse uma grande responsabilidade. Quer carregar uma sacola leve e sentir que está contribuindo. Quer estar perto enquanto você arruma a casa, organiza a mesa ou prepara o jantar.
Esses pequenos momentos, que para nós adultos parecem apenas parte da rotina, para uma criança têm um valor muito maior. Porque ali ela não está sendo entretida, ela está participando.
E participar da vida da família constrói algo muito importante dentro da criança: a sensação de pertencimento.
Quando uma criança percebe que tem um lugar real dentro da dinâmica da casa, que ela pode ajudar, que ela pode contribuir, que a presença dela importa, algo começa a se organizar dentro dela de forma muito natural. Não é automático, mas é um caminho que ela começa a trilhar. Ela aprende a cooperar, aprende a esperar, aprende a observar como as coisas funcionam, e pouco a pouco começa a entender que viver em família também significa participar da vida uns dos outros.
Talvez por isso muitas das memórias mais marcantes da infância não estejam ligadas a grandes eventos, mas a pequenos rituais que se repetem ao longo do tempo. O cheiro do bolo, a ida ao supermercado no fim da tarde, a conversa no carro voltando da escola, o momento de organizar a casa juntos. Aparentemente coisas muito simples, mas que constroem algo profundo.
A verdade é que aquilo que mais fortalece o coração de uma criança não é uma vida cheia de entretenimento, mas uma vida em que ela sente que pertence. E esse sentimento de pertencimento, muitas vezes, nasce exatamente nos momentos mais comuns da rotina.
Beatriz Samaia.

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